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Entrada Artigos A Aliança Anarchista ao Povo - 1
A Aliança Anarchista ao Povo
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Escrito por Aliança Anarchista   
Seg, 22 de Junho de 2009 20:22
Índice do Artigo
A Aliança Anarchista ao Povo
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A mentalidade anarchista é uma mentaliade nova. Constrangidos a viver num mundo decrepito, em continuo esfacelos, e cuja existência só com guerras e opressões de todo genero é possível perpetuar, os anarchistas,pelo espírito, pela vontade, pelas aspirações pertencem a um mundo que há por vir. Nascidos aqui ou além, extrangeiros em todas as pátrias, somos inimigos de todos os governos de todas as classes privilegiadas e amigos de todos os povos, defensores de todas as vicitmas.

Devido portanto, a essa mentalidade nova, inteiramente liberta de preconceitos, graças ao caracter essncialmente universal da doutrina professada, os anarchistas, submettendo os próprios sentimentos ao império da razão, reflectida e serena, falam da guerra e das causas que a provocaram como das responsabilidades directas que na mesma têem os governos, sem se deixar arrastar por sympatias ou antipatias, que dados os preconceitos ambintos e exame superficial dos acontecimentos, podem parecer legitimas e de cuja sinceridade nem sempre é lícito duvidar.

Nós não vimos, portanto, defender, nem poderíamos faze-lo, o pangermanismo, seus princípios e aspirações. O que essa doutrina representava para o mundo e para o povo germânico em particular, nós os anarchistas o tínhamos denunciado há muito. Contra o espirito autoritário do prussianismo, que se tinha apoderado até da Internacional e que nestes últimos annos era critério dominante nos partidos socialistas de todas as nações, tínhamos declarado guerra desde quasi cincoenta annos. O nosso procedimento nos valeu a expulsão de todos os congressos ditos socialistas e toda sorte de calumnias por parte daquelles que hoje – em nome sempre do socialismo – de um socialismo politiqueiro e, conforme os casos, nacionalista – se juntaram aos sequazes de outros imperialismos para açular ódios contra o povo germânico, cuja responsabilidade é grande, mas que não obstante isso é dever de todos quantos acreditam num amanhã de paz e justiça, ajudar a libertar-se daquelles que oprimem e enganam, tornando-o matador e feroz. Tanto mais que seria erro sustentar que da guerra toda a responsabilidade cabe ao povo alemão, pois se de facto que foi o governo germânico o primeiro que, escolhendo a hora propicia, desembainhou a espada, em todas as nações as espadas se estavam afiando para guerra que, mais tarde ou mais cedo, fatalmente iria explodir. Pois a guerra era, e é a conseqüência inevitável de tudo isto que se chama regimen capitalista e as rivalidades de raça, mantidas e alimentadas pelos governos e pelos grupos de financeiros de um ou mais paizes.

Na França, quando Poincaré subiu ao poder, Hervé; o Hervé de hontem, escrevia: Cést la guerre, mais nous avons aussi les poings carrés … para impedi-la.

Mas a guerra veio, e alastrou-se e alastrar-se-á ainda mais.

O Brazil já entrou no conflicto, a sua neutralidade periclitante era fatal que acabasse. O incidente do Paraná foi pretexto fornecido pelos truculentos governantes teutônicos.

Nós porém, affirmaremos, com a nossa franqueza habitual, que mesmo sem aquele pretexto o Brazil seria mais ou menos dia, irremediavelmente arrastado á chacina. Assim impunham os seus credores, assim o complexo das circunstâncias política e econômicas o determinava, assim o exigiam todos os que a guerra ou estado de guerra virá enriquecer ou eximir de importunas responsabilidades.

Nós não negamos que haja um sentimento nacional offendido, este sentimento porém, é exclusivo das massas populares. Elle, não existe nem nos governantes nem nas classses privilegiadas. Nestes o sentimento nacional traduz no simples calculo, na intriga, na baixa politiquice e cinismo rebuço, num criminoso e hediondo mercantilismo. O sentimento nacional para os governos e a burguesia, é a possibilidade de auferir-se lucros fabulosos, roubando a pátria que fingem por acima de tudo e reduzindo á fome o povo ingênuo que elle, pelo enthusiasmo ou pela força, arremessam para a carnificina e para a morte.

A América do Norte ahi está como clara confirmação do que avançamos. O governo dos Estados Unidos, os grandes trustistas americanos, que não se comoveram grandemente com o fim do Tubantia, que se proclamaram mais que neutralistas, pacifistas, pois elles a neutralidade consistia em fornecer a caro preço munições e viveres aos beligerantes, mesmo aos teutônicos por meio da Hollanda, só no dia em que viram os seus negócios paralyzados ou reduzidos pela acção dos submarinos, se lembraram que havia uma dignidade nacional offendida e uma causa de liberdade pela qual era dever baterem-se … continuando na fabricação de munições, de armamentos, de navios e no açambarcamento dos gêneros de primeira necessidade.



Última atualização em Seg, 22 de Junho de 2009 20:41
 

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