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A Aliança Anarchista ao Povo
A Aliança Anarchista ao Povo - 4 PDF Imprimir E-mail
Escrito por Aliança Anarchista   
Seg, 22 de Junho de 2009 20:22
Índice do Artigo
A Aliança Anarchista ao Povo
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Hoje não. Nesta hora recusamos a nossa intervenção na luta que é travada no interesse dos que se apoderaram do Brazil e delle fizeram fazenda própria e no interesse dos capitalistas e industriais estrangeiros que sugam até á última gotta o sangue do povo brazileiro e o arrastam a guerra para melhor o extorquir.

Que fique, porém bem clara e definida a nossa attitude. No noss gest, que consideramos lógico, honesto, coherente, preciso, não há e não pode haver solidariedade com os corsários do mar, que esqueceram e reduziram a nada todo os princípios da humanidade e que eram desde muito conquistas gloriosas da civilização, mas uma espécie de corsários, por mais criminosa e feroz, não pode levar á solidariedade com outra espécie ão menos perigosa e cruel.

E a culpa disso não é nossa.

*

E agora duas palavras aos nossos companheiros do Brazil.

Aconteça o que acontecer, não devemos esmorecer, nem deixar-nos arrastar no vendaval que parece ameaçar a integridade e solidez da nossa construcção doutrinaria. Se há quem proclame a falência do nosso ideal e de todas as aspirações que o personificam, a verdade é que esta guerra traduz a derrocada de todas as doutrinas burguezas, moraes, religiosas, sociaes.

Uma sociedade humana que se vangloria das suas instituições civis, que proclama a excellencia da sua religião de paz, fraternidade e amor, e que, não obstante, é impotente para impedir as guerras e os conflictos entre os homens, que ella acceita como fatalidades necessárias, é uma sociedade de antemão condemnada a desaparecer victima da sua própria incapacidade e dos crimes e desvarios que esta incapacidade gera.

Os nossos ideaes permanecem, felizmente, acima do grande desastre. Nenhuma responsabilidade lhes cabe no cataclismo que, a todo o transe buscaram impedir.

Conservemos-nos, portanto, fieis a elles mantendo acceso e vivo o fogo sagrado da justiça social, da fraternidade entre homens, os quaes, amando o trabalho e a harmonia, não querem e não pretendem que no seu seio coexistam, como até aqui, escravos e senhores.

O nosso dia virá.

A Plebe – Anno I – Num 3 – 23 de junho de 1917

Texto Histórico - Digitalizado pela FOSP seção Campinas a partir do Arquivo Bem Estar e Liberdade.

Última atualização em Seg, 22 de Junho de 2009 20:41
 

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